sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Odisséia

Naquela noite, ofereceu ao captor antropófago o odre com o vinho de Ismaura.
- Isso vai lhe ajudar a digerir - disse o herói.
O gigante secou o odre. O vinho era tão forte que até a dantesca cabeça do Ciclope ficou estonteada.
- Um presente magnífico - exclamou o gigante em meio a sua bebedeira. - Agora me diga o seu nome, para que eu lhe devolva essa gentileza em espécie.
- O meu nome - responde Odisseu - é Ninguém.
- Excelente, meu caro Ninguém! Agora, eis o meu presente para você: vou devorá-lo por último. - e com isso, o Ciclope mergulhou num sono profundo.
Odisseu não perdeu tempo. Com a ajuda dos cinco marujos sobreviventes, ergueu a lança improvisada e atravessou o olho do seu captor. Com um grito, Polifemo arrancou o chuço da órbita: estava cego. Seus berros de raiva chamaram a atenção dos compatriotas. Em breve, vozes chegaram de fora da caverna:
- Polifemo, que mal o aflige? Quem o feriu? - perguntavam os Ciclopes.
- Ninguém! - gritou Polifemo. - Ninguém me feriu! Ninguém está escondido em minha caverna! Ninguém quer me matar!
Os demais Ciclopes foram embora.
Polifemo urrou, esbravejou, bateu as mãos na parede - tudo em vão.

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